O Brasil deve colher 19% mais de cevada em 2013 (342,4 mil toneladas) em comparação com o ano passado, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Mas o aumento da safra na matéria-prima da cerveja não se traduz em
redução de preços da bebida para o consumidor. Afinal, o Brasil importa
todos os anos quase o equivalente da produção do cereal da Argentina e
do Uruguai.
A escassez de cevada é uma das principais dificuldades do setor. O país produz apenas um terço do que necessita.
Mesmo assim, a colheita maior soa como uma boa notícia para pequenos
produtores de cerveja artesanal, como David Michelsohn. No mês passado,
ele lançou a cerveja Júpiter, de aroma cítrico e que por enquanto tem
produção de 1.800 litros mensais. "Devo ser a menor do Brasil", diz.
Por essa razão, Michelsohn se interessa por todos os processos que
envolvem a cerveja. E a cevada é considerado a alma dessa bebida.
O cereal cujo cultivo é mais expressivo na região Sul é basicamente
direcionado para a indústria cervejeira. Por meio dele que se extrai o
malte, fundamental para a obtenção da bebida -por sinal, o país produz
13,5 bilhões de litros por ano, atrás apenas da China e dos Estados
Unidos.
Embora a maior parte da produção nacional seja consumida pela AmBev,
gigante de bebidas da América Latina, o aumento da colheita não deixa de
ser animador para as microcervejarias artesanais.
As 200 pequenas fábricas existentes no país, contabilizadas pela
Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) atendem a procura do
brasileiro que passou a se interessar pelos aromas diferenciados da
bebida artesanal mesmo que sejam mais caras.
A recém-lançada Júpiter custa R$ 12 (garrafa de 310 ml) contra R$ 3,50 de uma lata (350 ml) de uma bebida de escala industrial.
"Não é modismo", avalia Alexandre Bazzo, sócio da Bamberg, em
Votorantim (SP), microcervejaria fundada em 2005 com investimento de R$
1,5 milhão, que já ganhou importantes prêmios internacionais.
Bazzo, que é sócio de dois irmãos, acompanha de perto a evolução do
setor. Segundo ele, a Bamberg cresce 30% ao ano e registra uma produção
de 50 mil litros mensais.
Esses produtores têm noção do espaço que ocupam e, por essa razão, não
se veem como concorrentes das cervejas industriais. Representam apenas
0,15% do mercado tradicional e podem chegar aos 2% em dez anos, segundo a
Abrabe.
"Não me vejo como incômodo para ninguém", diz Michelsohn que por ora
aluga parte da estrutura de outra cervejaria para fabricar seu produto.
UOL
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